Lábios cerrados. Olhos fechados. Onde estou? A qual lugar pertenço? Sou um pedaço de nada? Sou parte de tudo? Habito dentro ou fora de mim?

Sinto as batidas do meu coração descompassado, mas não consigo decifrar a melodia. Tento senti-la com meus pensamentos, mas eles fogem, divertem-se em outros ares, sentidos. Já não sei mais se pertenço ao passado ou ao futuro. Só sei que do presente não faço parte.

Mas a qual parte pertenço? Sou fêmea? Sou macho?

Tenho minhas duas metades encaixadas, confundidas, sobrecarregadas. Recordo-me de meu lado forte. Dele me alimento. A força vem do peito, do útero, da dama, que mesmo louca, debulha o leite para manter a criança. Olvido-me de meu lado frágil, másculo, inseguro. Esqueço-me das tantas vezes que parti, por medo.

Dizem que é preciso ter culhões para ser forte. Acredito que o útero é que traz a coragem capaz de ultrapassar até o mais grandioso obstáculo. Gerar a vida. Criação divina. Uma pena que na correria do dia-a-dia esquecemos de aproveitar cada minuto deste processo celestial. Queimamos o sutiã, ganhamos nosso espaço e de certo modo, perdemos o tempo de sentir.

Sou fêmea. Mas carrego a masculinidade. Machos, idem. Carregam a feminilidade. Em graus distintos, outros nem tanto. Nosso DNA é mais que físico, ele parte do espírito, da imortalidade, da sucessão das vidas.

Afinal, se observarmos a natureza, captaremos a essência: se até mesmo do terreno árido brota a planta. Se até mesmo das pedras brotam flores. Somos pedra, somos vivos, somos mineral, vegetal, animal. Somos homens. Somos um. Só precisamos lembrar disso, hoje, no presente.

Sobre o Autor

Eu Tenho Visto

O Eu Tenho Visto é uma empresa de assessoria de comunicação, social media, cobertura de eventos e mailing. Somos uma multiplataforma digital, fazemos curadoria, relacionamento e conteúdo para clientes.