O Instituto Ling recebeu na última semana, em parceria com o Fashion Frames, a palestra Uma janela para o Futuro – Macrotendências de Moda e Design, comandada por Lili Tedde. Lili é a representante brasileira do Studio Edelkoort / Trend Union, um bureau de estilo baseado em Paris.

Liderado pela holandesa Li Edelkoort, o Studio Edelkoort / Trend Union semestralmente lança livros de macrotendências que servem de inspiração para designers, estilistas, marketing e pesquisa e desenvolvimento.

Lili, que mora em São Paulo, esteve na capital gaúcha e falou sobre macrotendências para um grupo de interessados em moda e design. Antes da palestra, ela bateu um papo inspirador com a equipe do Eu Tenho Visto.

Além do trabalho no Studio Edelkoort, Lili representa o bureau dando palestras e consultorias pelo Brasil, além de criar dossiês para empresas que querem descobrir seu dna e reencontrar sua origem, buscando um caminho com alma, que seja verdadeiro e que tenha fundamento:

– O consumidor não aceita mais algo que não tenha um porquê… ele se interessa do começo ao fim do produto – conta Lili.

A revista Bloom, também editada pelo bureau de estilo, é um misto de horticultura, arte, design e moda, e as edições Brasil e Fé mostram o que o país tem de interessante.

– Queremos que os designers e artistas nacionais possam interpretar e conhecer melhor suas origens para inspirar suas criações. Nosso material é lúdico, nunca mostramos o bê-a-bá do que o designer deve fazer. Nossa ideia é gerar um conteúdo que faça com que os designers e estilistas se inspirem para criar coleções cada vez mais interessantes… além disso, nosso produto requer estudo, instigamos os designers a criarem uma moda – explica Lili.

E sobre a moda em si?

– A Li Edelkoort fala que o mundo está caminhando para uma revolução na moda… e acho que a moda não vai mais ser gerada pelos formadores de opinião e sim voltarão a existir grandes designers que irão revolucionar com peças muito bem feitas. Acredito que estamos caminhando para roupas muito mais bem feitas e criativas… vai deixar de existir o básico, e teremos peças mais criativas e importantes. O básico é boring, né? – brinca.

E completa:

– A geração jovem tem buscado cada vez mais peças exclusivas e se interessam em saber onde e como foi feita, qual o tecido, qual a tintura… eles estão preocupados com todo o ciclo da peça. Isso gera empresas e designers novos com coleções menores. O que o designer realmente faz bem? Faça isso, não precisa fazer uma coleção inteira.

Em um dos estudos são utilizados os arquétipos de Jung – mas em vez de sete, o estudo ampliou os arquétipos para 17, citando deusas como Oxum e outras figuras femininas da cultura ocidental e oriental:

– Falamos de várias deusas para definir as mulheres e explicar um pouco os arquétipos. As mulheres estão mudando, se tornando mais assertivas, mais guerreiras e têm ao lado delas homens mais sensíveis, que mudaram e assumiram outros papeis: são pais mais presentes e que permitem mostrar seus sentimentos. A partir disso, a mulher está se encontrando também e precisando tomar atitudes mais assertivas… Talvez estejamos caminhando para uma sociedade matriarcal – diz ela, rindo.

Tomara, né?

 

O evento foi organizado pelo Fashion Frames, criado por Carolina Bucker, Gabriela Rizzo Cirne Lima, Milene Zardo e Beth Venzon.