Fazendo alusão a uma temporalidade futura, a peça 2068 usa máscaras expressivas e manipulação de bonecos para retratar a resiliência humana. A montagem tem direção de Liane Venturella

Após o sucesso da premiada montagem Imobilhados, que teve temporadas em diversas cidades do Brasil e passou pelo Canadá, o grupo Máscara EnCena acaba de estrear seu novo trabalho. Intitulado 2068, o espetáculo usa mais uma vez as máscaras expressivas, que já se transformaram na marca registrada do grupo gaúcho, e ainda acrescenta a manipulação de bonecos em cena.

Com direção de Liane Venturella, a novidade está em temporada em Porto Alegre até 24 de agosto dentro do projeto Ponto de Teatro, doInstituto Ling, com sessões nas sextas-feiras às 20h e nos sábados às 18h. Os ingressos estão à venda em www.institutoling.org.br e nabilheteria do centro cultural com preços de R$ 40 no valor inteiro e R$ 20 meia-entrada.

 

Durante a peça, os quatro atores Alexandre BorinCamila VergaraFábio Cuelli e Mariana Rosa dão vida a oito diferentes personagens confinados em um espaço de privação das liberdades individuais, em que, para se manter vivo, é preciso se alimentar constantemente de esperança. Fazendo alusão a uma temporalidade futura, o espetáculo é permeado pelo questionamento: ainda é possível sonhar? Usando as máscaras e os bonecos, além de tecidos e objetos animados, o grupo explora temas como aprisionamento e liberdade.

 

A criação do novo espetáculo iniciou no ano passado: “2068 surgiu quase como um contraponto ao Imobilhados – agora com quase nenhum cenário, com dramaturgia atemporal e fragmentada”, conta a atriz Mariana Rosa. O trabalho também é fruto do encontro do grupo MáscaraEnCena com Liane Venturella que, pela segunda vez, foi convidada a dirigir o coletivo. “Em comparação a Imobilhados2068 é um espetáculo mais alegórico e onírico. Em relação ao registro de atuação, tem muito a ver com a direção da Liane: buscar a humanidade; não demonstrar, viver”, explica Camila Vergara.

 

Sem nenhuma fala, a montagem dá protagonismo à trilha sonora original de Caio Amon e à luz, assinada por Fabiana Santos. “A dramaturgia é construída em boa parte por meio desses dois elementos que colaboram para constituir uma sensação efetiva”, explica o ator Alexandre Borin. Composta especialmente para a peça, a trilha inclui oito composições de diferentes universos musicais e desenho de som cinemático. Entre os destaques, estão uma ária em italiano com voz da soprano Cíntia de Los Santos e um moteto renascentista que conta ainda com as vozes do tenor Eduardo Alves e do baixo-barítono Daniel Germano.

 

Contamos histórias bem simples – a complexidade está no olho daquele que assiste. São personagens enclausurados, mas eles ainda conseguem sonhar. Abrimos essa conversa com o público: tu és uma vítima, ou colaboras com a violência, qualquer violência, com teu silêncio?”, finaliza Liane Venturella, que assina a direção e também os figurinos do espetáculo.

 

Esta programação integra o projeto Ponto de Teatro, que tem patrocínio da Crown Embalagens e financiamento do Ministério da Cidadania, Governo Federal.

 

 

SERVIÇO – PONTO DE TEATRO

2068

Do grupo Máscara EnCena. Direção de Liane Venturella. Com Alexandre Borin, Camila Vergara, Fábio Cuelli e Mariana Rosa.

Dias 9, 10, 16, 17, 23 e 24 de agosto – sextas-feiras, às 20h e sábados, às 18h

Instituto Ling (Rua João Caetano, 440 – Três Figueiras – Porto Alegre/RS)

 

Duração: 60 minutos

Classificação etária: Livre

 

Ingressos

R$ 40,00 inteiro

R$ 20,00 meia-entrada (50% desconto para estudantes, pessoas com deficiência e idosos)

 

Pontos de venda

Online: https://institutoling.org.br/agenda-cultural

Instituto Ling: de segunda a sexta-feira das 10h30 às 22h; sábados, das 10h30 às 20h.

 

Ficha técnica

Direção: Liane Venturella

Dramaturgia: Máscara EnCena e Liane Venturella

Elenco: Alexandre Borin, Camila Vergara, Fábio Cuelli e Mariana Rosa

Trilha sonora original: Caio Amon

Iluminação e operação de luz: Fabiana Santos

Operação de som: Vitório Azevedo

Máscaras: Fábio Cuelli

Bonecos: Rita Spier

Cenografia: Máscara EnCena

Figurino: Liane Venturella

Costureira: Naray Pereira

Direção de produção: Camila Vergara

Produção e idealização: Máscara EnCena

 

Sobre o grupo Máscara EnCena

O grupo Máscara EnCena nasce em 2014, em Porto Alegre, a partir do encontro de artistas com o mesmo desejo: investigar a potencialidade artística da máscara. Alexandre BorinCamila VergaraFábio Cuelli eMariana Rosa buscaram formação com expoentes da máscara no Brasil e exterior como a Cia Familie Flöz, a École Philippe Gaulier, Serge Nicolai (Théâtre du Soleil), Tiche Vianna e Daniela Carmona. Em 2017, o grupo estreia o espetáculo Imobilhados, com direção de Liane Venturella, artista colaborada do grupo desde 2015. Sucesso de público e crítica, Imobilhados foi indicado em sete categorias no Prêmio Açorianos de Teatro, incluindo Melhor Espetáculo, e venceu em três categorias: Melhor Direção (Liane Venturella), Melhor Produção (grupo Máscara EnCena) e Melhor Cenografia (Rodrigo Shalako). Concorreu ao Prêmio Braskem em Cena, levando o Prêmio de Melhor Direção para Liane Venturella. Foi indicado em cinco categorias no Prêmio CENYM de Teatro Nacional, incluindo Melhor Grupo, levando os prêmios Melhor Cenografia e Melhores Efeitos Sonoros e Trilha Sonora Fragmentada e foi indicado em 8 categorias no Prêmio Olhar(es) da Cena. O espetáculo percorreu alguns Festivais como o Festival SESC Palco Giratório RS, 32º FESTIVALE (São José dos Campos – SP), 19º Caxias em Cena (Caxias do Sul – RS), 19º Mostra Sesc de Teatro de Passo Fundo (Passo Fundo – RS), 25º Porto Alegre em Cena e 2º FIMC – Festival Internacional de Máscaras do Cariri, além de fazer circulação pelo estado de SP, através do SESI Viagem Teatral e pelo estado do RS, através do edital Pró Cultura RS – FAC. Em maio de 2019, o espetáculo também fez sua estreia internacional noFestival Masq’alors – Saint Camille (Canadá), único festival voltado exclusivamente à máscara teatral na América do Norte. Paralelamente, o grupo realiza a Residência Artística Territórios da Máscarapartindo já para a 5º edição; a Oficina Corpo-Máscara e desenvolve projetos de intervenção urbana e criação de vídeos. Em 2018, foi convidado a participar da abertura da 11º Bienal do Mercosul, com performance dirigida por Liane Venturella.