Cheguei em Tilcara, na província de Jujuy, em um dos dias mais importantes na região noroeste argentina. Em 1º de agosto se comemora o Dia da Pachamama. Pachamama é a “Mãe Terra”, deusa cultuada pelos povos originários. Em uma praça secundária da cidade encontrei um grupo se preparando para começar os rituais e acabei ficando por ali toda a tarde, observando e, inclusive, participando da cerimônia.

Casa onde foi o ritual da Pacha

No dia seguinte, parti para um dos lugares que eu mais queria conhecer nessa viagem: o Cerro de 7 Colores. Esse morro de sete cores fica em Purmamarca, a uns 25 quilômetros ao sul de onde eu estava. Como a distância era curta, decidi passar apenas o dia lá e voltar para meu hostel. Fui e voltei de carona. Já na estrada, o lugar impressiona. São muitas formações geológicas interessantes, mas a que mais chama a atenção é a que fez a fama do local.

Perto do centro do vilarejo está o Cerro de 7 Colores e, em frente, um pequeno morro que parece ter sido colocado estrategicamente ali para servir de mirador. Dele se vê o colorido da pedra, formada por diferentes minerais em distintas épocas. Como essa parte da Argentina é muito alta (aqui, cerca de 2,3 mil metros sobre o nível do mar), é mais difícil caminhar em função do cansaço causado pela falta de oxigênio. A dica é levar folhas de coca para mascar. Elas são vendidas em muitos lugares, principalmente na combinação “Coca + Bica” (Coca e bicarbonato de sódio).

Cerro de 7 Colores

Para quem gosta de fazer caminhadas leves, ainda há a opção de caminhar ao redor do Cerro Colorado, que é um morro vermelho atrás do de sete cores. Quem se encanta com arquitetura, os arredores da praça são ideais para observar construções antigas. Já quem prefere fazer compras, no largo há muitos artesãos vendendo produtos típicos da região.

Se eu já estava deslumbrada com a beleza do Cerro de 7 Colores, mal posso escrever como me senti ao chegar do Cerro de 14 Colores. O morro de catorze cores, também conhecido como Hornocal, fica em Humahuaca, cidade a cerca de 45 quilômetros ao norte de Tilcara. Fui de carona com uma mulher que conheci no hostel e passamos a noite lá. Para chegar do centro ao morro, é preciso ir de carro ou pagar para que alguém te leve em uma caminhonete 4×4. A estrada é complicada e de chão batido. Vimos dois carros com pneus furados na volta. Mas pagar os 200 pesos (menos de R$ 50) vale a pena.

Cerro de 14 Colores

O Hornocal é muito mais extenso e majestoso do que o 7 Colores. A parte ruim é que não é possível chegar tão perto dele, mas mesmo assim a vista é incrível. É bom levar abrigo e coca, pois o local está a aproximadamente 4 mil metros sobre o nível do mar e há muito vento. Além disso, para chegar à ponta do mirador, é preciso descer uma lomba muito grande e a subida da volta fica um pouco menos difícil mascando as folhas.

 

Por Rafaela Ely.