No hostel em Cafayate, conheci um casal de Buenos Aires (ele, portenho, ela, colombiana). Quando souberam que minha ideia era pegar carona de onde estávamos até Salta Capital, me convidaram para ir com eles. Só que eles passariam a noite em uma outra cidadezinha da região, Cachi, e só depois iriam para o destino final. Me pareceu boa ideia acompanhá-los, pois eu já tinha ouvido falar do lugarejo, mas não o suficiente para me animar a ir. Além disso, seria uma oportunidade de andar alguns quilômetros mais na lendária Ruta 40 Argentina. Assim que, na manhã seguinte ao convite, eu já estava com minha mochila no carro deles pronta para o passeio.

E que passeio! Eles eram fotógrafos de casamentos e também trabalhavam com vídeo. Cada um tinha um projeto pessoal: ela tirava fotos analógicas de janelas e ele fazia gravações com drone. Para mim, os companheiros perfeitos de viagem, pois amo fotografar lugares no meio da estrada. Igrejas, cemitérios e formações geológicas interessantes eram paradas obrigatórias.

A Quebrada de las Flechas foi o mais impressionante. O acidente geográfico foi formado pelo movimento das placas tectônicas e pelo vento e consiste em pedras muito altas e estreitas que surgem do solo como se tivessem sido colocadas ali de propósito. Depois dessa baita surpresa, desviamos o caminho até a lagoa de Brealito. O lugar é bacana, tranquilo, fica no meio das montanhas, se passa por uma infinidade de cactus, há flamingos, mas não sei se a visita vale a pena para alguém que tem um tempo limitado (o que não era nosso caso).

Depois de viajar o dia inteiro, finalmente chegamos a Cachi – em geral, o trajeto demora menos de quatro horas, mas em função das atrações do caminho, ele durou mais. Esse é um vilarejo pequeno, com poucas opções de hospedagem (pelo menos para o meu bolso) e sem muita estrutura. Foi legal conhecer, pois a arquitetura é muito antiga, as ruas à noite são charmosas, há um parque arqueológico e já se começa a perceber as tradições do norte do país, mas acho que não voltaria lá. Isso porque o ponto mais famoso não fica perto do centro. É o Nevado de Cachi, uma montanha cujo topo tem neve eterna.

Ao fundo, o Nevado de Cachi

O caminho de Cachi a Salta, sim, quero percorrê-lo quantas vezes for possível. A começar pelo Parque Nacional Los Cardones, com uma grande quantidade de cactus. Depois, passamos pela Cuesta del Obispo, uma descida de serra supostamente com uma vista espetacular, mas tivemos o azar de passar por ela quando caiu uma neblina muito espessa e não pudemos ver nada.

Essa viagem também durou mais do que o normal devido às paradas e chegamos em Salta ao anoitecer. Lá, nos despedimos. No dia seguinte explorei a cidade, conhecida como “La Linda”, mas nada me chamou muito a atenção. Os prédios do centro são bonitos e a subida até o Cerro San Bernardo possibilita uma vista panorâmica do município, mas não foi nada de cair o queixo.

O que foi mesmo de cair o queixo foi a programação que fiz de noite em Salta. Primeiro, fui a uma “peña”, lugar onde se dança e toca músicas folclóricas (chacareras e zambas, principalmente). Os bailarinos e as bailarinas executavam as coreografias com entusiasmo e o espetáculo foi lindo. Não pude ficar até o final, pois era 31 de julho, véspera do Dia da Pachamama. Perto da meia-noite, no Mercado Artesanal, houve uma cerimônia de fumegação das lojas e de oferendas à Pacha. Foi uma linda experiência poder participar desse ritual espiritual de tanta importância na América Latina.

Por Rafaela Ely.

 

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