San Miguel é a capital da provincial de Tucumán. Escolhi essa cidade para ser a porta de entrada do Norte argentino. O percurso desde Córdoba teve paisagens incríveis: serra arborizada, queimada em plantação de cana de açúcar, sal na beira da estrada, cabras cruzando a rodovia e pôr do sol na planíce. Essa viagem me fez decidir uma coisa: sempre que possível, escolher horários de ônibus diurnos para poder apreciar a vista.

Eu não lembrava, mas essa é a cidade natal de Mercedes Sosa, uma de minhas cantoras favoritas. Há uma estátua dela no centro de informações turísticas e uma sala dedicada à artista no Museu de Folclore. O lugar que eu mais queria visitar (na verdade, a única atração do município que eu conhecia) era a Casa de Tucumán. Nesse local foi assinada a declaração de independência da Argentina em 9 de julho de 1816.

Grafitti homenageia Mercedes Sosa em Tucumán

Independência é o nome da praça central e 9 de Julio é o nome do maior parque de San Miguel. Do escritório de turismo sai um tour diário às 17h que passa por quatro igrejas do centro. A atividade é promovida pela prefeitura e gratuita. Três comidas tradicionais dessa região são as famosas empanadas tucumanas (pequenos pastéis assados), sanduíche de milanesa (pão recheado com bife à milanesa) e panchuque (salsicha dentro de massa de crepe).

Praça 9 de Julio, em Tucumán

Um dia é o suficiente para conhecer San Miguel e de lá me dirigi a Cafayate, na província de Salta. Novamente, a beleza da estrada surpreendeu: subida de serra com muitas árvores, montanhas muito altas com vegetação baixa e morros com grama. No caminho, passamos por Tafí del Valle, que parece um lindo povoado.

Cafayate era um dos lugares que mais queria conhecer na Argentina em função da Quebrada de las Conchas. Essa é uma zona com formações geológicas impressionantes a uns 50 quilômetros do povoado. Para chegar até lá, fui a pé até a Ruta 68 (a menos de dois quilômetros do centro) e pedi carona. Tive muita sorte. Um casal de franceses me acolheu e paramos em quase todos os pontos turísticos.

Quebrada de las conchas em Cafayate

O primeiro foram os médanos, dunas de areia no meio das montanhas. Depois, descemos do carro todas as vezes que algo nos chamava a atenção. Los Colorados, El Obelisco, La Yesera, El Sapo, Tres Cruces, El Anfiteatro e Garganta del Diablo foram as principais atrações. Eles seguiram para Salta e eu pedi carona para voltar. Desta vez, peguei carona com um senhor que vinha dirigindo há cerca de um mês, descendo desde Cuzco, no Perú.

Medanos de Cafayate

No dia seguinte, fui até o Parque das Sete Cascatas. A ideia era chegar em todas elas, mas mal cheguei à primeira. Já cheguei cansada na entrada do parque, que fica a uns 6 quilômetros do centro, pois o trecho é de subida e o sol castigava bastante (mesmo no inverno a radiação solar no norte é muito alta e por isso é preciso sempre usar protetor solar e boné ou chapéu).

Parque das Sete Cascatas em Cafayate

Mesmo que não tenha conhecido nenhuma cachoeira linda (apenas pequenas quedas d’água), o caminho valeu à pena pela paisagem. Cruzar o rio a pé algumas vezes, caminhar no meio das montanhas e ver cactos por todos os lados foi muito agradável. Na volta do passeio, fui até à bodega Vasija Secreta para um tour e degustação grátis. Os vinhos de Salta e de Cafayate são aclamados e é quase obrigação do turista conhecer ao menos uma vinícola da região.

Por Rafaela Ely.

 

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