Carnaval chegando e os blocos já estão pelas ruas do Rio de Janeiro… hoje, vamos falar sobre o primeiro bloco feminista do Carnaval carioca: o Bloco Mulheres Rodadas! O grupo surgiu em 2015 como forma de protesto contra uma postagem machista feita na internet que dizia: “Não mereço mulher rodada”.

Subvertendo a ordem e aproveitando o Carnaval, o bloco perguntava: ainda cabe hoje algum rótulo dado às mulheres por conta de suas escolhas?

Em menos de 24 horas, o evento criado no Facebook que propunha um eventual desfile/protesto teve mais de mil confirmações. No dia do cortejo, a Quarta-feira de Cinzas, mais de 3 mil pessoas, sobretudo mulheres, com fantasias e cartazes que remontavam os temas do feminismo, estiveram no Largo do Machado, na cidade do Rio de Janeiro.

Em 2016, o bloco voltou a levar 3.500 pessoas às ruas com uma banda majoritariamente de mulheres, com repercussão nacional e internacional. Participou do lançamento do Dossiê Mulher, publicação do Instituto de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro que reúne dados e análises sobre crimes contra mulheres e foi o primeiro bloco a realizar um cortejo pelas ruas da Vila Mimosa, tradicional reduto de prostituição da cidade! Detalhe: debates sobre a prostituição e distribuição de materiais sobre saúde e direitos reprodutivos também marcaram a ação.

Ainda em 2016, integrou o movimento #carnavalsemassedio e contou com o apoio institucional da ONU Mulheres em seus dois desfiles.

Em 2017, o bloco ajudou a fomentar na imprensa o debate sobre o repertório e o cancioneiro usado pelos grupos no carnaval de rua da cidade. Participou novamente de campanhas de combate e conscientização sobre questões relacionadas à violência contra a mulher, e idealizou juntamente à agência Gênero e Número a campanha “Quem dá a letra do seu carnaval”, onde eram apresentadas mulheres que estão ocupando espaços de protagonismo na folia.

Em paralelo ao bloco, uma parte do grupo tem se dedicado à roda de samba “Pra que rimar amor e dor”. Nessa performance são cantados sambas em que a tônica é a agressão às mulheres, uma forma de questionar como a música e a arte podem ajudar a naturalizar formas brutais de violência.

Na última semana, o grupo foi ao Encontro com Fátima Bernardes para falar sobre o assédio no Carnaval e o Eu Tenho Visto quis levar sua mensagem adiante!

E olha que bacana: o grupo também oferece oficinas de música, apresentações na rua e rodas de conversa sobre temas relacionados ao feminismo.